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I got no crush, but…

Janeiro 31, 2008 · Deixe um comentário

 

Como diriam os Beatles: “It’s been a hard days night”. Os 8 anos da administração Bush foram, sem dúvida, os mais tenebrosos da história recente dos EUA. Não sou o maior “expert” em história – que dirá, história americana! -, mas creio que nem a administração Nixon foi tão desastrosa for “the home of braves”. A passagem de Bush ficará marcada pelo idiotia daquela figura tragicômica tão bem caricaturada nos filmes de Michael Moore. Triste para o país mais poderoso do planeta; e um pesadelo para o resto do mundo, forçado a conviver com uma ameaça diária, ao acordar todo dia sabendo um texano pra lá de imbecil tem nas mãos (ainda!) poderio militar capaz de destruir a terra algumas centenas de vezes.

Quando já parecíamos todos aliviados com a perspectiva de um mal menor – a possível vitória de Hillary Clinton – eis que surge Obama. A princípio, a pergunta fundamental que me fiz foi: Who the hell is this guy?! A resposta foi simples: ele é “o cara”. A cartinha da Caroline Kennedy pro New York Times só fez confirmar o que se tornava mais e mais óbvio para o resto do mundo à medida que a cobertura das eleições norte-americanas crescia: Obama é a possibilidade de redenção dos yankees, “the chosen one” que há muito todos esperavam.

Hillary não representava uma nova esperança, apenas a volta do mediano. Depois de Bush, qualquer ser humano com idade mental condizente com seus anos de estadia na terra já seria uma melhora considerável, digna de aplausos. Sendo democrata então – voilá!— teríamos motivos para sorrir outra vez! Mas Hillary não seria um avanço real, apenas a continuidade do que fora interrompido pela “idade das trevas” encarnada em Bush. Hillary seria apenas mais um WASP no poder, que se diferenciaria de Bush, essencialmente, pelo fato de possuir neurônios.

Obama, por outro lado, ao surgir “pro mundo”, era incompreensível. Como se não bastasse o fato de ser negro, tinha um nome árabe demais para um norte-americano pós-11 de setembro. Mas aí as coisas foram tomando forma. Discursos consistentes, um carisma de matar, capacidade de articulação e uma predisposição – deveras sedutora – para o diálogo internacional. Era isso! Um cara capaz de trazer para a política a fluidez complexa que os afro-americanos deram, por exemplo, à música. Obama parece o único capaz de improvisar e entrar no ritmo do mundo; e o mundo precisa que os Estados Unidos larguem a batuta, afinal, eles nunca tiveram muita vocação para a música clássica.

Ao contrário de Colin Powell, Condoleezza Rice e Michael Jackson, Obama não é apenas mais um negro branqueado. Ele é uma espécie de Black Panther amadurecido, um Luther King secularizado, um Malcolm X psicanalisado. O cara parece ter percorrido a trilha aberta por mártires e artistas negros ao longo das décadas para chegar lá sem a muleta das posturas afirmativas ou síndrome de Estocolmo que tanto aproxima os negros “bem sucedidos” do “WASP way of life”. Obama guarda um ar de naturalidade e isso, em política, é algo único. É isso: Obama parece surgir como um caminho natural, uma espécie de dialética evolutiva da sociedade norte-americana: é a síntese, é a síntese!

Não sei se Obama vai ganhar, mas o fato de ter “surgido” pro mundo já é “um passo gigantesco para a humanidade”. Esperemos a “Super Terça” pra ver no que vai dar. Hillary tem o peso de seu sobrenome e a cor do conservadorismo. Resta torcer para que os norte-americanos sejam braves o suficiente para fazer essa aposta.

 A carga simbólica

“Obama chegou às manchetes quando foi eleito o primeiro presidente negro do Harvard Law Review, talvez a mais prestigiada publicação jurídica do país. “Para nós, foi realmente uma grande comemoração, um verdadeiro marco”, diz Earl Martin Phalen, um colega de classe negro. “Mas aquilo não teve o mesmo significado para ele…” Ele não assumiu uma atitude de bater no peito de orgulho, algo como “olhe pra mim, sou o primeiro”. Ele estava ciente do significado histórico, mas compreendia que havia responsabilidade”.Do perfil de Obama, publicado no G1

Creio que manter essa postura é o grande desafio para líderes trazem consigo cargas simbólicas gigantescas. Lula, de certa maneira, parece ter sucumbido ao peso dessa responsabilidade. Se Obama conseguir lidar bem com isso, tem tudo para figurar ao lado dos nomes mais importantes da história política mundial.

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