Babèlllykós

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Desde 1947

Janeiro 30, 2008 · Deixe um comentário

Estou lendo o primeiro volume da obra crítica de Cortázar. O primeiro ensaio, “La crisis Del culto al libro”, o argentino faz uma análise do romance (novela) moderno, da maneira como ele configurou-se a partir do século XVIII, e discute as implicaciones desse histórico para a literatura contemporânea dele (mais precisamente, 1947). A princípio, o apelo do ensaio estava na possibilidade que ele oferecia de lançar novas luzes sobre a obra prima do cara, Rayuella (O Jogo da Amarelinha), livro que representa muito pra mim e influenciou grandemente a forma como passei a encarar a literatura, desde as primeiras leituras, no auge da adolescência, marcadamente antropofágica, até a configuração de certo gosto literário que hoje acredito particular.

O ensaio em questão dá margem para muitas reflexões, mas por ora queria deter-me em um aspecto em particular. Avançando na discussão estética acerca da adequação entre forma/estilo e conteúdo/tema, Cortázar chega à ferramenta do fazer literário, a linguagem em si. A essa altura do texto ele toca num tema do qual andei me ocupando bastante em outra época, quando refletia sobre a minha produção blegueira. Grosso modo, Cortázar compara a literatura às outras artes e deixa claro, nesse movimento, que a literatura não exige dons especiais ou grandes habilidades.

Cortázar escreve:

“Todos os elementos de la educación obligatoria Del niño y El adolescente, a más de los diarios, La novela, el teatro, El cine y La acumulación Del saber oral, entrenan incesantemente al hombre para darle soltura literaria, dominio Del verbo, recursos expresivos. Hay un día en que todo muchacho escribe sus versos y su novela, mostrando muy temprano su tendencia vocacional que expandirá en una carrera literaria o destruirá para reconstruirse sobre nuevas bases si está en la actitud contemporánea que estudiamos; si carece de vocación literaria, el orden burocrático, comercial y amoroso lo ejercitará en alguna forma de literatura epistolar o oral. La facilidad intrínseca de lo literario, los atavismos folclóricos, la vida gregaria y el desarrollo técnico de la propaganda, la radio, los eslóganes, crearan en él un repertorio expresivo, un acopio verbal que se revelara espontáneamente eficaz y aprovechable apenas se plantee la primera instancia del problema de su ser e de su existir. Con alguna melancolía cabe concluir que se fuera tan cómodo pintar, esculpir o hacer música como lo es llenar de formas verbales una página; si fuera tan accesible manifestarse en la acción como lo es manifestarse en la intuición y sus formulaciones verbales, la verdad es que el siglo contaría con mucho menos libros literarios o antiliterarios, y la tarea continuaría solamente al escritor vocacional”.

A verdade dessa reflexão fica evidente quando pensamos no universo dos blegos. E hoje podemos ir um pouco mais longe. As novas tecnologias fizeram pelo cinema/vídeo o que papel e caneta fizeram pela literatura. Nesse universo, lleno de criação, o grande desafio é a garimpagem. Mas isso tudo não é nenhuma novidade. É algo com o qual lidamos desde, digamos, 1947.

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