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	<title>Babèlllykós</title>
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		<title>Babèlllykós</title>
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		<title>o fim da utopia</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Oct 2008 03:51:03 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[“Berlin Ocidental, verão de 1967. Podia ser outro lugar, outro momento. Mas nossa história começa aqui. O filósofo Herbert Marcuse vai falar. Ele vive nos Estados Unidos. Veio especialmente para uma série de conferências. Título de seu trabalho: O Fim da Utopia.
A jovem platéia está intrigada. O que Marcuse está querendo dizer com isto? O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=310&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>“Berlin Ocidental, verão de 1967. Podia ser outro lugar, outro momento. Mas nossa história começa aqui. O filósofo Herbert Marcuse vai falar. Ele vive nos Estados Unidos. Veio especialmente para uma série de conferências. Título de seu trabalho: O Fim da Utopia.</p>
<p>A jovem platéia está intrigada. O que Marcuse está querendo dizer com isto? O filósofo começa explicando as razões do título. Utopia é um conjunto de idéias de transformação social, tidas como impossíveis. Idéias que, normalmente, prolongam uma série de condições existentes na construção de um mundo melhor.</p>
<p>Marcuse não queria falar de coisas impossíveis, muito menos prolongar o existente. Veio para pregar uma ruptura completa; gerando o fim da utopia.</p>
<p>“Todas as forças materiais e intelectuais que podem contribuir para realizar uma sociedade livre estão presentes no mundo de hoje. Se não atuam é porque a sociedade se mobiliza em peso contra a possibilidade de sua própria liberação. Mas uma situação desse tipo não é suficiente para chamar de utopia um projeto de transformação”.</p>
<p>Em seguida, o velho filósofo falou algo que é bastante conhecido dos teóricos do III Mundo. Não há um sábio, disse ele, mesmo um sábio burguês, que seja capaz de negar a evidência de que é possível acabar com a fome e a miséria através das forças atuais de produção. Isto só não acontece por causa da desorganização sócio-política do Planeta.</p>
<p>Estavam todos de acordo até aí. Marcuse avançou entretanto sua idéia nova que parece ter trazido especialmente para este momento. As verdadeiras mudanças só aconteceriam se houvesse a liberação de uma nova dimensão humana, se surgisse uma nova antropologia cujo objetivo fosse o de transformar as necessidades. Uma delas, vital, é a necessidade de liberdade e tudo o que ela implica.</p>
<p>Ao longo de quatro dias de discussão, Marcuse insistiria nesse tema. Parecia preocupado em precisar o que significa uma nova necessidade. O desenvolvimento das forças produtivas atingira tal nível que estava a exigir o despertar de novas necessidades à altura do momento. Mas quais seriam elas?</p>
<p>Quem acompanhasse toda a exposição não teria dificuldade em compreender o filósofo. Num primeiro lance, as novas necessidades poderiam ser entendidas como a simples negação dos valores que sustentam o sistema. Negação do princípio da produtividade, da competição, do conformismo.</p>
<p>No lugar desses valores carcomidos, entrariam a necessidade de paz, de tranqüilidade, de estar só consigo mesmo (ou com as pessoas amadas), de beleza, felicidade gratuita e de uma esfera particular.</p>
<p>Essas novas necessidades levariam a uma transformação total do mundo técnico. Cidades seriam reconstruídas, a natureza restaurada. O desvario da industrialização revisto de ponta a ponta. Atenção, advertia o filósofo: não se trata de uma regressão romântica a uma época anterior à técnica. Os benefícios da técnica só ficarão realmente visíveis quando se livrarem do capitalismo.</p>
<p>Faltava dizer que o socialismo existente no mundo não tinha realizado este projeto. Marcuse mostrou que a idéia do socialismo estava diretamente ligada ao desenvolvimento das forças produtivas e ao aumento da produtividade do trabalho. No instante em que surgiu, isto era justificável e necessário. Mas agora, não era mais essa a diferença entre uma sociedade livre e uma sociedade oprimida. Com pena de parecer ridículo, era preciso ter coragem para afirmar que a característica distinta de um mundo novo seria a dimensão estético-erótica – fórmula que sintetiza a convergência da técnica e da arte, do trabalho e do jogo.</p>
<p>Marcuse concluiu sua exposição afirmando que era preciso correr o risco de redefinir a liberdade de tal maneira que não pudesse ser confundida com nada do que aconteceu até agora. O novo motor da sociedade, já satisfeita materialmente, seriam aspirações liberadas, necessidades instintivas, inclinações espontâneas do ser humano.</p>
<p>E como essas coisas são utópicas apenas aparentemente, pois, no fundo, significam a negação histórico-social da ordem estabelecida, o filósofo conclamou todos a participarem de uma oposição realista e pragmática, livre de todo derrotismo, pois não era possível trair a liberdade emergente”.</p>
<p><strong>[Trecho de "A Vida Alternativa: uma revolução do dia a dia", de Fernando Gabeira, publicado pela LP&amp;M em 1985]</strong></p>
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		<pubDate>Wed, 01 Oct 2008 20:55:22 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Chico
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		<title>I got no crush, but&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Jan 2008 16:14:20 +0000</pubDate>
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Como diriam os Beatles: “It’s been a hard days night”. Os 8 anos da administração Bush foram, sem dúvida, os mais tenebrosos da história recente dos EUA. Não sou o maior “expert” em história – que dirá, história americana! -, mas creio que nem a administração Nixon foi tão desastrosa for “the home of braves”. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=5&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri"><span><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://babelikos.wordpress.com/2008/01/31/i-got-no-crush-but/"><img src="http://img.youtube.com/vi/wKsoXHYICqU/2.jpg" alt="" /></a></span> </span></font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri"><span>Como diriam os Beatles: “It’s been a hard days night”. </span>Os 8 anos da administração Bush foram, sem dúvida, os mais tenebrosos da história recente dos EUA. Não sou o maior “expert” em história – que dirá, história americana! -, mas creio que nem a administração Nixon foi tão desastrosa for “the home of braves”. A passagem de Bush ficará marcada pelo idiotia daquela figura tragicômica tão bem caricaturada nos filmes de Michael Moore. Triste para o país mais poderoso do planeta; e um pesadelo para o resto do mundo, forçado a conviver com uma ameaça diária, ao acordar todo dia sabendo um texano pra lá de imbecil tem nas mãos (ainda!) poderio militar capaz de destruir a terra algumas centenas de vezes. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Quando já parecíamos todos aliviados com a perspectiva de um mal menor – a possível vitória de Hillary Clinton – eis que surge Obama. A princípio, a pergunta fundamental que me fiz foi: <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL242025-5602,00-BARACK+OBAMA+DA+MISTURA+CULTURAL+A+LUTA+PELA+PRESIDENCIA+DOS+EUA.html">Who the hell is this guy?!</a> A resposta foi simples: ele é “o cara”. A <a href="http://www.nytimes.com/2008/01/27/opinion/27kennedy.html?_r=1&amp;hp&amp;oref=slogin">cartinha</a> da Caroline Kennedy pro New York Times só fez confirmar o que se tornava mais e mais óbvio para o resto do mundo à medida que a cobertura das eleições norte-americanas crescia: Obama é a possibilidade de <a href="http://www.rollingstone.com/politics/story/17652931/obamas_moment">redenção</a> dos yankees, “the chosen one” que há muito todos esperavam. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Hillary não representava uma nova esperança, apenas a volta do mediano. Depois de Bush, qualquer ser humano com idade mental condizente com seus anos de estadia na terra já seria uma melhora considerável, digna de aplausos. Sendo democrata então – voilá!— teríamos motivos para sorrir outra vez! Mas Hillary não seria um avanço real, apenas a continuidade do que fora interrompido pela “idade das trevas” encarnada em Bush. Hillary seria apenas mais um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/WASP">WASP</a> no poder, que se diferenciaria de Bush, essencialmente, pelo fato de possuir neurônios. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Obama, por outro lado, ao surgir “pro mundo”, era incompreensível. Como se não bastasse o fato de ser negro, tinha um nome árabe demais para um norte-americano pós-11 de setembro. Mas aí as coisas foram tomando forma. Discursos consistentes, um carisma de matar, capacidade de articulação e uma predisposição – deveras sedutora – para o diálogo internacional. Era isso! Um cara capaz de trazer para a política a fluidez complexa que os afro-americanos deram, por exemplo, à música. Obama parece o único capaz de improvisar e entrar no ritmo do mundo; e o mundo precisa que os Estados Unidos larguem a batuta, afinal, eles nunca tiveram muita vocação para a música clássica. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri"><span><font face="Calibri"><span><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://babelikos.wordpress.com/2008/01/31/i-got-no-crush-but/"><img src="http://img.youtube.com/vi/slMMqD-qlFY/2.jpg" alt="" /></a></span></span></font></span></font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Ao contrário de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Colin_Powell">Colin Powell</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Condoleezza_Rice">Condoleezza Rice</a> e Michael Jackson, Obama não é apenas mais um negro branqueado. Ele é uma espécie de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Panteras_Negras">Black Panther</a> amadurecido, um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Luther_King">Luther King</a> secularizado, um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Malcolm_Little">Malcolm X</a> psicanalisado. O cara parece ter percorrido a trilha aberta por mártires e artistas negros ao longo das décadas para chegar lá sem a muleta das posturas afirmativas ou <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Estocolmo">síndrome de Estocolmo</a> que tanto aproxima os negros “bem sucedidos” do “WASP way of life”. Obama guarda um ar de naturalidade e isso, em política, é algo único. É isso: Obama parece surgir como um caminho natural, uma espécie de dialética evolutiva da sociedade norte-americana: é a síntese, é a síntese!</font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Não sei se Obama vai ganhar, mas o fato de ter “surgido” pro mundo já é “um passo gigantesco para a humanidade”. Esperemos a “Super Terça” pra ver no que vai dar. Hillary tem o peso de seu sobrenome e a cor do conservadorismo. Resta torcer para que os norte-americanos sejam braves o suficiente para fazer essa aposta.</font></p>
<p><font face="Calibri"> </font><font face="Calibri"><strong>A carga simbólica</strong></font></p>
<p><span style="font-size:7pt;color:#666666;font-family:'Times New Roman','serif';"><em>“Obama chegou às manchetes quando foi eleito o primeiro presidente negro do Harvard Law Review, talvez a mais prestigiada publicação jurídica do país. “Para nós, foi realmente uma grande comemoração, um verdadeiro marco”, diz Earl Martin Phalen, um colega de classe negro. “Mas aquilo não teve o mesmo significado para ele&#8230;” </em></span><span style="font-size:7pt;color:#666666;font-family:'Times New Roman','serif';"><em>Ele não assumiu uma atitude de bater no peito de orgulho, algo como &#8220;olhe pra mim, sou o primeiro&#8221;. Ele estava ciente do significado histórico, mas compreendia que havia responsabilidade”.</em></span><span style="font-size:7pt;color:#666666;font-family:'Times New Roman','serif';"><em>Do perfil de Obama, publicado no G1</em></span></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Creio que manter essa postura é o grande desafio para líderes trazem consigo cargas simbólicas gigantescas. Lula, de certa maneira, parece ter sucumbido ao peso dessa responsabilidade. Se Obama conseguir lidar bem com isso, tem tudo para figurar ao lado dos nomes mais importantes da história política mundial. </font></p>
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		<title>Desde 1947</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 22:10:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou lendo o primeiro volume da obra crítica de Cortázar. O primeiro ensaio, “La crisis Del culto al libro”, o argentino faz uma análise do romance (novela) moderno, da maneira como ele configurou-se a partir do século XVIII, e discute as implicaciones desse histórico para a literatura contemporânea dele (mais precisamente, 1947). A princípio, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=4&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Estou lendo o primeiro volume da obra crítica de Cortázar. O primeiro ensaio, “La crisis Del culto al libro”, o argentino faz uma análise do romance (novela) moderno, da maneira como ele configurou-se a partir do século XVIII, e discute as implicaciones desse histórico para a literatura contemporânea dele (mais precisamente, 1947). A princípio, o apelo do ensaio estava na possibilidade que ele oferecia de lançar novas luzes sobre a obra prima do cara, Rayuella (O Jogo da Amarelinha), livro que representa muito pra mim e influenciou grandemente a forma como passei a encarar a literatura, desde as primeiras leituras, no auge da adolescência, marcadamente antropofágica, até a configuração de certo gosto literário que hoje acredito particular. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">O ensaio em questão dá margem para muitas reflexões, mas por ora queria deter-me em um aspecto em particular. Avançando na discussão estética acerca da adequação entre forma/estilo e conteúdo/tema, Cortázar chega à ferramenta do fazer literário, a linguagem em si. A essa altura do texto ele toca num tema do qual andei me ocupando bastante em outra época, quando refletia sobre a minha produção blegueira. Grosso modo, Cortázar compara a literatura às outras artes e deixa claro, nesse movimento, que a literatura não exige dons especiais ou grandes habilidades. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Cortázar escreve:</font></p>
<p><span><font face="Calibri"><em>“Todos os elementos de la educación obligatoria Del niño y El adolescente, a más de los diarios, La novela, el teatro, El cine y La acumulación Del saber oral, entrenan incesantemente al hombre para darle soltura literaria, dominio Del verbo, recursos expresivos. Hay un día en que todo muchacho escribe sus versos y su novela, mostrando muy temprano su tendencia vocacional que expandirá en una carrera literaria o destruirá para reconstruirse sobre nuevas bases si está en la actitud contemporánea que estudiamos; si carece de vocación literaria, el orden burocrático, comercial y amoroso lo ejercitará en alguna forma de literatura epistolar o oral. La facilidad intrínseca de lo literario, los atavismos folclóricos, la vida gregaria y el desarrollo técnico de la propaganda, la radio, los eslóganes, crearan en él un repertorio expresivo, un acopio verbal que se revelara espontáneamente eficaz y aprovechable apenas se plantee la primera instancia del problema de su ser e de su existir. Con alguna melancolía cabe concluir que se fuera tan cómodo pintar, esculpir o hacer música como lo es llenar de formas verbales una página; si fuera tan accesible manifestarse en la acción como lo es manifestarse en la intuición y sus formulaciones verbales, la verdad es que el siglo contaría con mucho menos libros literarios o antiliterarios, y la tarea continuaría solamente al escritor vocacional”.</em></font></span></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">A verdade dessa reflexão fica evidente quando pensamos no universo dos blegos. E hoje podemos ir um pouco mais longe. As novas tecnologias fizeram pelo cinema/vídeo o que papel e caneta fizeram pela literatura. Nesse universo, lleno de criação, o grande desafio é a garimpagem. Mas isso tudo não é nenhuma novidade. É algo com o qual lidamos desde, digamos, 1947.</font></p>
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		<title>Olá mundo!</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jan 2008 18:48:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Olá mundo” é um nome pretensioso para um título inicial de um blog. Há hoje essa lenda de que os blogs são uma janela para o mundo, que a Internet realiza a profecia lisérgica do Warhol sobre os 15 minutos de fama que o futuro prometia aos mortais. No lo creo e, além disso, no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=1&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">“Olá mundo” é um nome pretensioso para um título inicial de um blog. Há hoje essa lenda de que os blogs são uma janela para o mundo, que a Internet realiza a profecia lisérgica do Warhol sobre os 15 minutos de fama que o futuro prometia aos mortais. <i>No lo creo</i> e, além disso, <i>no me gusta</i> esta idéia. A tal da blogosfera deveria na verdade chamar-se blegosfera porque, no fundo, é disso que se trata: egos. A busca frenética por comentários elogiosos, por criação de redes de leitores, o sonho de que algum dia um famigerado editor descubra o Rimbaud que há em você. Bullshit. Os sucessos que passaram pela blegosfera não conseguiram nada que não conseguiriam sem ela. Ela pode ter – vá lá – acelerado o processo, mas como efeito colateral há hoje a hipertrofia do vazio. Antes, todos tinham o direito de falar suas besteiras entre amigos, em mesas de bar, todos filosofavam no banheiro. Hoje, as pessoas fazem isso com um megafone e – pior – todos ao mesmo tempo. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Esse tom amargo e pessimista é algo novo pra mim (ao menos em relação à blegosfera). Já fui partidário, sabem? Acreditava que ela poderia abrir o caminho para a expansão das competências comunicativas do ser humano. Sonhava com uma comunidade mundial envolvida em amplos diálogos sobre as grandes questões universais, realizando o sonho da ágora grega em megatermos, fazendo as teorias habermasianas realizarem-se em sua plenitude. Exercitaríamos a razão comunicativa e o mundo seria mais sensato e feliz. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Aí eu percebi que se as pessoas não sabem dialogar no “mundo dos cheiros”, a existência de uma ferramenta digital que possibilitasse a emissão – não troca – de opiniões em níveis mundiais não mudaria absolutamente nada. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">*** </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Mas a esta altura do texto, torna-se inevitável uma questão: porque – diabos – acreditando em tudo isso eu ainda estou aqui? Por que pra mim a vontade de escrever é uma maldição. Não há dom, não há habilidade, não há a tenacidade necessária à coisa, mas – blody hell – há esse ímpeto. Depois de quase um ano sem escrever uma linha que não tivesse uma finalidade estritamente profissional, essa necessidade de escrever pra mim, pra organizar minhas idéias, voltou. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Mas por que publicar, por que colocar na Internet se eu nem ao menos acredito nela? Não dava pra escrever pra mim mesmo? Porque escrever diário é coisa de mulherzinha, ora! Brincadeira. Não é por isso não. A verdade é que eu não sei. Creio que o que faz da necessidade íntima de publicar os próprios textos um desejo irrefreável é a vontade de desafiá-los. Trata-se de uma relação complexa, uma espécie de conflito entre egos, ids e superegos. Meu id, a necessidade primária: escrever; meu superego: o senso do ridículo; meu ego: a tentativa de conciliar os dois extremos. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">De um lado, o blog garante ainda certa dose de, digamos, “liberdade criativa”. De outro, traz consigo a ameaça constante do olhar do outro, o que aumenta ainda mais a auto-crítica. É preciso adequar os textos ao leitor ideal, aquele misto entre meu olhar, o como eu gostaria de ser lido, o como eu acho que as pessoas me lêem (ou podem ler) e o como as pessoas me lêem de fato. Enfim, é uma questão complexa. </font></p>
<p><font face="Calibri">*** </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Escrever é também, no final das contas, uma forma de organizar minhas próprias idéias, retê-las de alguma maneira para revisá-las no futuro. Minha experiência anterior com blogs permitiu isso de maneira óbvia. Pude observar a ação do tempo – e da vida – sobre minhas crenças e pontos de vista. Creio que nesse um ano que fiquei sem escrever assemelha-se ao período em que fiquei sem tirar fotos (6 anos, entre 96 e 2001). Não lembro bem de meu rosto nessa época. Prefiro pensar nele, meu rosto, como algo em (trans)formação, assim como minha personalidade. Gostaria de ter a possibilidade de avaliar aquele período. Mas agora já era. Passou. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">Este ano sem escrever também foi um tempo de formação. Mas não me arrependo, no entanto, de não ter escrito. Era uma pausa necessária. Um período de transição. Mudaram muitas coisas. Na minha vida, no meu jeito de olhar pro mundo, na minha rotina. Mudou tudo. Acho que está na hora de colocar as coisas em perspectiva. Quem sabe um dia eu possa confrontar os dois “eus” e rir disso tudo, com aquele sorriso bobo de quem fica surpreso de ver “as voltas que o mundo dá”. </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri">*** </font></p>
<p style="margin:0 0 10pt;" class="MsoNormal"><font face="Calibri"><strong>Este blog não terá rumos. Não haverá temas ou línguas. Todo tópico é tópico. Não há público alvo. Não há objetivo. <i>This is it</i>. </strong></font></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/babelikos.wordpress.com/1/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/babelikos.wordpress.com/1/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/babelikos.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/babelikos.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/babelikos.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/babelikos.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/babelikos.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/babelikos.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/babelikos.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/babelikos.wordpress.com/1/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/babelikos.wordpress.com/1/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/babelikos.wordpress.com/1/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=1&subd=babelikos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Da sabedoria do estrangeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Sep 2007 19:09:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Todo estrangeiro tem o dever de tocar na ferida, de cutucar a onça com as varas curtas que traz na algibeira, na mochila, na mala, nos bolsos. Todo estrangeiro tem o dever de perturbar. No entanto, todo estrangeiro deve aprender o valor de mostrar-se incapaz, inepto: deve incomodar sem querer &#8211; querendo. Todo estrangeiro tem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=11&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Todo estrangeiro tem o dever de tocar na ferida, de cutucar a onça com as varas curtas que traz na algibeira, na mochila, na mala, nos bolsos. Todo estrangeiro tem o dever de perturbar. No entanto, todo estrangeiro deve aprender o valor de mostrar-se incapaz, inepto: deve incomodar sem querer &#8211; querendo. Todo estrangeiro tem o dever de parecer gentil, humilde e ingênuo. Todo estrangeiro tem duas orelhas e uma boca e sabe que é preciso saber ouvir, que é preciso saber calar. Todo estrangeiro ferve por dentro e guarda no peito a certeza de saber mais agora, em seu desterro, do que sabia antes, em seu cadinho. E todo estrangeiro guarda esta sabedoria consigo.</p>
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		<title>Dos direitos do estrangeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Sep 2007 19:00:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Todo estrangeiro tem direito à ignorância dos curiosos. Todo estrangeiro é uma criança: ocupa-se de descobrir o mundo ovo, de quebrar sua casca. O estrangeiro tem direito à lanbança, à gagueira, ao balbucio. A tolice do estrangeiro não irrita, faz rir. O estrangeiro é digno da condescendência dos nativos. O estrangeiro é enganável. E o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=10&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Todo estrangeiro tem direito à ignorância dos curiosos. Todo estrangeiro é uma criança: ocupa-se de descobrir o mundo ovo, de quebrar sua casca. O estrangeiro tem direito à lanbança, à gagueira, ao balbucio. A tolice do estrangeiro não irrita, faz rir. O estrangeiro é digno da condescendência dos nativos. O estrangeiro é enganável. E o estrangeiro é inofensivo em seu tatear: vem daí sua liberdade, sua vantagem competitiva. O estrangeiro tem<br />
outros olhos, o estrangeiro vê outras coisas e vê as mesmas coisas de outras formas. O estrangeiro deforma.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/babelikos.wordpress.com/10/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/babelikos.wordpress.com/10/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/babelikos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/babelikos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/babelikos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/babelikos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/babelikos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/babelikos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/babelikos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/babelikos.wordpress.com/10/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/babelikos.wordpress.com/10/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/babelikos.wordpress.com/10/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=10&subd=babelikos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Estrangeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Sep 2007 18:51:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[I&#8217;m a real nowhere man. Nasci estrangeiro, desterrado. Preto entre brancos, índio entre pretos, ódio entre os dentes. Exilei-me. Fora do meu nao-lugar original, tinha raízes irreconhecíveis. Teci raízes aéreas para me ligar à nova terra. Sem os nutrientes da tradição, fiz-me híbrido. Desconstruí o pouco do passado que havia em mim e projetei um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=9&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>I&#8217;m a real nowhere man. Nasci estrangeiro, desterrado. Preto entre brancos, índio entre pretos, ódio entre os dentes. Exilei-me. Fora do meu nao-lugar original, tinha raízes irreconhecíveis. Teci raízes aéreas para me ligar à nova terra. Sem os nutrientes da tradição, fiz-me híbrido. Desconstruí o pouco do passado que havia em mim e projetei um futuro que não brotava daquele presente, mas era um constructo de linhas dispersas. Juntei meus pedaços, pedaços de outros, possibilidades de vida, possibilidades de amor. Meu espaço-tempo era provincianamente mundializado. Meu mundo, desmundo. Nasci estrangeiro. Carrego comigo este estigma. Todo lugar me causa estranheza &#8211; e encantamento. Sou um eterno turista. Todo lugar é lugar de passagem. Minha morada está na fronteira, eternamente na fronteira.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/babelikos.wordpress.com/9/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/babelikos.wordpress.com/9/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/babelikos.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/babelikos.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/babelikos.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/babelikos.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/babelikos.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/babelikos.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/babelikos.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/babelikos.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/babelikos.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/babelikos.wordpress.com/9/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=9&subd=babelikos&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>o labirinto do fauno (bonde andando)</title>
		<link>http://babelikos.wordpress.com/2007/03/23/o-labirinto-do-fauno-bonde-andando/</link>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2007 17:10:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[fantasia]]></category>
		<category><![CDATA[harry potter]]></category>
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		<category><![CDATA[realismo]]></category>

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		<description><![CDATA[
Resposta, não enviada, a e-mail de lista de discussão falando (bem) de O Labirinto do Fauno
Não dá pra comparar O Labirinto do Fauno com Harry Potter e – muito menos – com o fraco Crônicas de Nárnia. Basicamente porque têm propostas radicalmente diferentes em sua origem. O Labirinto, ao contrário dos outros dois, é, nitidamente, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=babelikos.wordpress.com&blog=2673242&post=8&subd=babelikos&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img style="width:400px;height:203px;" src="http://www.thedougjonesexperience.com/panimage~10.jpg" alt="" width="437" height="227" /></p>
<p><em>Resposta, não enviada, a e-mail de lista de discussão falando (bem) de O Labirinto do Fauno</em></p>
<p>Não dá pra comparar O Labirinto do Fauno com Harry Potter e – muito menos – com o fraco Crônicas de Nárnia. Basicamente porque têm propostas radicalmente diferentes em sua origem. O Labirinto, ao contrário dos outros dois, é, nitidamente, um projeto autoral, pessoalíssimo e – sobretudo – sem concessões.</p>
<p>Fico meio em dúvida quanto a concordar ou não com o sonho de paz do que você diz que o filme tenta vender. Mas pra explicar o motivo, preciso viajar em algumas impressões que tive do filme. Adiante&#8230;</p>
<p>***<br />
O labirinto é um lugar onde as pessoas entram para se perder, é a maneira intencional de perder-se. É assim a fantasia. A gente se perde, entre suas paredes, suas bifurcações, seus becos sem saída. A gente tenta superar os desafios que ela nos impõe, mas lá fora – outside the wall – tudo permanece idêntico. Pra mim, O Labirinto do Fauno passa por aí e não poderia ser mais realista. Ao mesmo tempo em que reafirma a força da fantasia, como criadora de mundos paralelos, nega sua capacidade a alterar magicamente o mundo.</p>
<p>O segredo de O Labirinto é que Del Toro toma a fantasia como algo em si mesmo. Na cena crucial, a do embate entre a menina e o padrasto, isso fica evidente. Para o tirano, não existe Fauno algum (assim como não existe tirano para o Fauno). O mundo mágico da menina não é páreo para o chumbo dos militares. Como tudo que é vivo, ela morre. O mundo todo colorido que ela vê antes da morte pode até servir como um consolo, mas a harmonia entre as duas esferas nunca será possível.</p>
<p>No entanto, embora “ensimesmada”, a experiência da fantasia é sim capaz de modificar o mundo, mas por caminhos menos óbvios que os das intervenções de seres alados nos rumos da existência. A fantasia age dentro de quem a experimenta. É desse lugar que ela exerce seu poder. É como se Del Toro tivesse a consciência de que é impossível deitar no berço esplêndido da fantasia em tempos difíceis como no nosso. Ao contrário de Crônicas de Nárnia, por exemplo, onde a meninada é jogada num mundo completamente novo, no qual é possível deixar pra trás a vida de agruras por um tempo para enfrentar outros desafios (e exercer um protagonismo outrora impensável), a personagem de O Labirinto do Fauno oscila full time entre esses dois universos. E essa é pra mim a grande “sacada” do filme. Não há metáforas, uma coisa não remete a outra, a fantasia não é utilizada para explicar o (ou para falar do) mundo, a fantasia é isto: fantasia. O mundo é mundo. Da fantasia, a mais pura; da realidade, a mais dura: no fio da navalha, a pequena Ofélia se equilibra. Ou seja: é genial!</p>
<p>***<br />
Sobre Harry Potter. Acho que o filme proporciona outro tipo de experiência. Harry Potter, repare, parte do real como ele é configurado e propõe novas formatações para ele. Há lá uma escola&#8230; só que é uma escola para bruxos. Há muitos livros&#8230; só que eles voam. Há crianças implicantes&#8230; mas elas têm varinhas de condão. Harry Potter é a fantasia contemporânea, feito para crianças/adolescentes que, de certa forma, perderam muito da ingenuidade necessária para, digamos, “fantasiar com eficiência”. Está muito mais ligado à nossa capacidade de divagar, criativamente, com as coisas do dia-a-dia do que com nossa aptidão para mergulhar em outras dimensões. Harry Potter tem o tamanho exato das imaginações preguiçosas de hoje em dia, “colonizadas” pelo realismo. Harry Potter é muito mais divertido do que fantástico.</p>
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		<title>o mais profundo é a pele</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Mar 2007 17:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>babelikos</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>O Cheiro do Ralo é uma história pra se acompanhar de estômago embrulhado – ou pra aceitar o inevitável que é a podridão humana. Aceitar e fazer piada. Rir das próprias mazelas de um jeito bem cômodo: vendo-as projetadas no outro, na tela. O cheiro do ralo vem do banheiro, o palácio da intimidade, as quatro paredes que ligam o homem às próprias entranhas, àquilo que é motivo de vergonha, àquilo que se tenta esconder, àquilo que fede, àquilo que é podre. O cheiro do ralo denuncia a podridão que vem de dentro, a podridão dos nossos infernos, dos nossos demônios. Dialoga com o Amarelo Manga das “feridas purulentas”, ocupa-se de mostrar o avesso do humano, expor as vísceras para o deleite dos despudorados e para o nojo dos cidadãos de bom gosto. O Cheiro do Ralo manda o bom gosto à merda.</p>
<p>Mas o Cheiro do Ralo não vai à merda. Se o faz, serve-se de luvas. Há algo no filme que impede que a conexão entre o espectador (bem comportado) e os tipos da tela (podres) aconteça a ponto de promover o encontro efetivo da platéia com seus próprios ralos. O riso – bem administrado – é a maior prova disso. É ele o maior responsável por garantir essa distância e suavizar o caráter perturbador da história. Quem fede, quem apodrece, quem degenera é sempre o outro. É isso que torna o filme palatável. Um detalhe, uma dose a mais de escatologia, e o filme seria demasiadamente pesado, difícil de engolir.</p>
<p>***<br />
Quanto à história, O Cheiro do Ralo remete a uma corrente estilística cada vez mais central na literatura brasileira. Corrente que, aos poucos, começa a desaguar no cinema. Falo dessa turma de escritores urbanos que muitos definem, mais ou menos precipitadamente, como discípulos de Rubem Fonseca. São autores fascinados com temas como violência, sexo e escatologia, autores que parecem dispensar a “alma” da literatura. É uma literatura do corpo, dos desejos, das vontades, das fraquezas. É o corpo em todas as suas polaridades, em todas as suas facetas. Desde o mais epidérmico até o mais deep, até o mais úmido. É uma literatura do caralho.</p>
<p>Nesse sentido, O Cheiro do Ralo é muito bem sucedido na tentativa de transportar essa estética, esse clima de cinismo e desilusão para a tela. Há um quê de apocalíptico, uma aura de fim dos tempos. Isso é a cara das grandes cidades brasileiras. Essa atmosfera está em cada esquina, em cada beco, em cada bar. É um jeito de ler o mundo atual. Jeito amargo, meio ácido, meio nietzscheano &#8212; mas sempre um jeito, um caminho, um buraco. Em suma, essa visão rasteira é, em essência, adorável. Afinal, como diria Deleuze: “o mais profundo é a pele”.</p>
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