Todo estrangeiro tem o dever de tocar na ferida, de cutucar a onça com as varas curtas que traz na algibeira, na mochila, na mala, nos bolsos. Todo estrangeiro tem o dever de perturbar. No entanto, todo estrangeiro deve aprender o valor de mostrar-se incapaz, inepto: deve incomodar sem querer – querendo. Todo estrangeiro tem o dever de parecer gentil, humilde e ingênuo. Todo estrangeiro tem duas orelhas e uma boca e sabe que é preciso saber ouvir, que é preciso saber calar. Todo estrangeiro ferve por dentro e guarda no peito a certeza de saber mais agora, em seu desterro, do que sabia antes, em seu cadinho. E todo estrangeiro guarda esta sabedoria consigo.
Da sabedoria do estrangeiro
Setembro 2, 2007 · 1 Comentário
Categorias: O Estrangeiro
Etiquetado: estrangeiro, mudança, mundo, pátria, sabedoria, terra
1 resposta Até agora ↓
Madame Mimi // Dezembro 20, 2007 às 3:56 am |
Comentei no “o mais profundo é a pele” pra vc, fazendo um convite…veja lá!!!