Nada supera este sentimento, você dormindo aqui, no meu ombro, fazendo do meu corpo o meio para um repouso merecido. E você merece. Dormir, repousar, quedar-se, perder-se na inconsciência, na inconsistência, naquele território algo loco onde tudo é possível – onde nada é. O máximo de possibilidades, o mínimo de autonomia. Perder-se, perder-se nos próprios sonhos é como amar. Amar é perder-se. O amor é a heteronomia desejável: é livrar-se do peso de ser um só. E isso você fez comigo. Amou. Perdeu-se. Perdemo-nos. E construimos juntos esta leveza – só nossa.
Dormi – ela disse. E sorriu preguiçosamente encabulada.
Janeiro 8, 2007 · Deixe um comentário
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