Babèlllykós

O homem!

Julho 26, 2006 · Deixe um comentário

Passou o tempo da doçura. Hoje é tempo de aspereza, de arestas mal aparadas, de espinhos-em-pé-de-guerra. Há que endurecer e mandar a ternura às favas. Não há o que dizer daquele garoto. Dele resta pouco. Resta um (naco). Resta nada. Aqui quem vos fala é o homem que assina embaixo, o homem de palavra, o homem da frase feita. Não, não, não há espaço para gracinhas ou improvisos. Aqui, o homem da capital, o homem do capital: o pecado mor. Aqui, o homem, já (se) basta: aprendeu a mentir pra si mesmo (e o faz como poucos). Ninguém é capaz de enganá-lo tão bem, com tamanho engenho, com tamanha perícia, com tamanha pequenez. O homem, agora, brinca feito criança e, quando come, se lambuza.

Silêncio, silêncio, silêncio que ora passa o homem! E vem aos tropeços. Cada topada, um degrau; cada rasteira, um rival (escada abaixo). Silêncio, olhos abertos: é hora de vê-lo jogar. Cartas à manga: valetes, espadas, curingas: está na mão. Está na hora: degola. Degola, porque já passou – já passou o tempo da doçura. Nasce o tempo da esperteza, de andar de cara amarrada, de crer no que já é. Há que enlouquecer e mandar a ternura aos fados.

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