Babèlllykós

O tempo, o rumo e a prosa

Julho 22, 2006 · Deixe um comentário

Você achou que estava tudo certo, nos conformes, em cima da pinta, mas não. Agora mudou tudo. Sempre muda. Sempre mudo: sem palavras (nem sagradas, nem proféticas, nem mundanas). Calado. E só. Liga pra ela e diz que agora não dá mais, que os tempos são outros, que pedra que não rola cria limo, que o sol isso que o tempo aquilo: fale grego, filosofe etimo(i)logicamente; talvez assim vocês se encontrem, comunguem, sintam-se, enfim, capazes de trocar uma idéia, uma experiência e, quiçá, salivas. Conte a ela que sentiu-se mais velho inda ontem. Mas não conte (esconda) que rejuvenesceu ao ouvir da balzaca um “é uma criança ainda” quando – sabe-se-lá-por-quê – deram pra falar de idades entre uma birita e outra. Mude de assunto, jogue conversa fora, porque conversa também vence, em prosa, em verso e na lousa que um dia chamou-se “quadro-negro, a seu dispor”. Mude, mude, mude o rumo desse conversê, porque tá preta a coisa e o que você achou que estava perto, retilíneo, uniforme, no outro extremo da ponte, agora está longe, longe, longe: ponto no infinito.

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