
Tem apenas 18 anos, mas diz que já sabe o que é sofrer de amor. Dona de uma verborragia tresloucada, pontua a própria euforia com instantes de quietude, nos quais o olhar se perde. “Sou muito emotiva, choro à toa”, diz. E é verdade. Possui um dualismo algo torto que a faz alternar entre o satírico e o suicida em questão de segundos. “Vou embora agora”, diz. A frase sucede a gargalhada que, há pouco, fizera todos acreditarem que aquele era o momento mais feliz da vida dela. E o amor ali, orbitando indiferente, como se aquele ar desencanado que ela tentava exalar tivesse o mínimo sentido. Ela ria da própria desgraça, mas antes enxugava as lágrimas atrevidas que, sem convite, tinham brotado só pra embaçar a visão de seu mundo cor-de-rosa.
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