
Demorou a entender aquilo que já não era mais. Tinha nas mãos o vivido, mas depois do falado – quando ele tornou comum o que há tempos já lhe ia peito adentro – depois do falado não houve sequer um beijo de despedida, de boa sorte. Também não cabia. Ela começaria a chorar, ele sabia disso. Tinha um quê de calculismo naquela calma dela. Não podia dar certo mesmo. Era serenidade demais pra cabeça dele. Serenidade. Não. Não era pra ela, que aprendera a amar aos trancos – em barrancos, em mesas, em paredes sem reboco, onde desse.
No fundo, sabia que tudo ia passar. Ela mudaria outra vez. Mudaria também o sentido, o valor que atribuía àquela história, à linha ora quebrada. Rupturas. Tinha de aprender a conviver com elas. Afinal, desde nova, só fazia romper consigo mesma, com aquilo que era-não-era. Passava da hora, passava da hora de aprender a lidar. Lidar com ela, a mesma, a outra: o duplo movimento, a simultaneidade do querer e do desquerer: a força do descrer em si mesma. Precisava é aprender a perdesser feliz.
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