Babèlllykós

TUDO AINDA VIVE

Janeiro 23, 2005 · Deixe um comentário

“‘Hoje é dia de Maria’ nasceu da alegria que tive ao me deparar pela primeira vez, já adulto, com os contos populares recolhidos da oralidade popular brasileira por Silvio Romero e Câmara Cascudo, entre outros. Logo depois vieram as pinturas de Cândido Portinari e as cirandas recriadas por Villa-Lobos, depois peguei na mão do Soffredini e do Abreu. Estes mestres iniciais, necessariamente, arrastam outros mais distantes: Portinari era apaixonado por Velásques, Villa por Bach. Todos sabemos do enorme caldeirão cultural ainda em ebulição por estas bandas. Além do mais, acredito em um patrimônio genético do Brasil, suas histórias, suas raças, suas línguas, seus sons; tudo ainda vive, tudo ainda me dá a sensação de que, como arquétipos, estão à espera de reencarnar para continuarem suas missões éticas e estéticas”.

(Luiz Fernando Carvalho)

Num texto anterior, falei sobre o que me vai quando penso nos CTGs. A citação acima vai em direção àquilo que penso sobre a cultura: tudo ainda vive. Pra continuar existindo como é, a cultura popular precisa reinventar-se o tempo todo, beber de outras fontes, misturar-se, sujar-se no mundo e não viver enclausurada seja lá onde for. Assim como nossa memória reconstrói o passado, a cultura modifica a si mesma o tempo todo. Cultura estática é cultura morta.

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