Babèlllykós

Entradas do Janeiro 2005

PÍLULAS

Janeiro 30, 2005 · Deixe um comentário

Chamava-se Marcelo. Tomava pílulas bicolores de hora em hora. Guardava-as num recipiente plástico, que adaptava-se perfeitamente ao bolso dianteiro da calça. Os amigos diziam que era ansioso, mas quando tocavam no assunto, ele desconversava. Fazia parte do processo.

Estava solteiro há meses e, nas últimas semanas, isso começara a incomodá-lo. A última namorada, Bia, o deixara num clima relativamente amigável.

“Olha, Marcelo, não é você, entende? São as pílulas”

“Mas é do tratamento, você sabe!”

“Tenta homeopatia, tenta!”

“Não acredito nessas coisas”

“E eu não acredito mais neste relacionamento”.

Há dois dias, Marcelo sentiu saudades — dias frios são armadilhas terríveis. Pegou o telefone e ficou horas brincando de liga-não-liga com o teclado. Não ligou.

Hoje, pela manhã, um fato novo perturbou sua rotina: esqueceu os comprimidos em casa. Pensou em voltar, mas não pôde: foi interceptado por um grupo de amigos que o arrastou para um local próximo. Tomar um café e apresentar alguém que ele gostaria. Foi. Ainda pensando nos comprimidos, mas foi.

O café estava bom. Preferia os comprimidos, mas o café estava bom mesmo. Aí apareceu Andréia-para-ser-apresentada, com óculos “modernosos”– como Marcelo costumava chamar essas armações da moda — e um ar de resfriada. A conversa seguia mais ou menos, até que Andréia sacou da bolsa um comprimido.

“Desculpe, mas não consigo suportar a idéia de viver sem eles”, disse. Tomou um gole do café para engolir, acendeu um cigarro e conviveu pacificamente com o caos daquele dia, em que deveria estar no psicólogo, mas em vez disso, estava num café, com pessoas falando ao mesmo tempo e irritando sua sensibilidade auditiva.

Observava Marcelo, com um ar de desdém, mas observava. Temia que alguém, mais hora menos hora, percebesse sua total falta de interesse por ele, e tentasse aproximá-los. Por isso o olhava.

Não estava convencida de que aquele homem á sua frente fosse seu par perfeito. (Não que acreditasse na baboseira vendida de “almas gêmeas”: era ativista, era rebelde e tinha tendências anárquicas). Porém, acreditava que no mundo inteiro, existiria uma pessoa a quem pudesse melhor tolerar — e que este a toleraria também. Sofria de esquecimento, de TPM, de tantas coisas!

Notando o olhar perdido de Marcelo para sua bolsa pensou: “Quem esse lunático pensa que é? O que estará pensando de mim?”

“É um composto”, explicou-se. “Meu médico me deu para tratar algumas disritmias das quais venho sofrendo.”

Marcelo balançou a cabeça como se entendesse de disritmia como ninguém.

“Sei. Sei como é isso. Minha irmã sofreu disso durante um bom tempo. Um horror, não é?”

Desse comentário surgiu uma conversa interessante que fez Marcelo esquecer por um momento de seus comprimidos. Aos poucos, a conversa fluiu gostosa. Terminaram o café falando sobre cinema iraniano, discutindo o existencialismo na obra de Bergman e o papel de Sartre no pensamento dos pós-estruturalistas. Não passaram disso (encontros arranjados têm dessas coisas). Trocaram telefones e marcaram de se encontrar num outro dia.

Andréia foi pra casa encantada. Há tempos — desde que se envolvera com seu professor de Literatura Comparada na faculdade — que não tinha uma conversa tão interessante. Unidos pelas pílulas! Quem disse que não há poesia no mundo?

Marcelo foi para o trabalho e passou o resto do dia em silêncio. Não satisfez à curiosidade dos amigos. Quanto interrogado acerca do que achara de Andréia, respondia lacônico: “Legal”.

Foi para casa a pé, apesar do cansaço. No trajeto, pensou bastante. Pensou muito em Andréia. Reconstituiu mentalmente todos os passos da conversa no café, começando sempre no instante em que Andréia tirou da bolsa o comprimido.

Em casa, a primeira coisa que fez foi pegar o telefone.

“Bia, como é que funciona mesmo aquele lance da homeopatia?”.

Texto escrito em parceria com Carissa. Começo e o fim são meus. O meio – em itálico – é dela.

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ARTE E ARTE

Janeiro 29, 2005 · Deixe um comentário

A arte, a partir da modernidade, vem se tornando algo que tem cada vez mais relação com intelectualidade – ou com determinado conceito de inteligência – do que com qualquer outro fenômeno. Sou capaz de perceber esse processo, mas devo dizer que a maior parte dessa arte inteligente é incapaz de afetar-me. É possível que essa constatação diga da minha burrice, mas continuemos tateando no escuro…

Falando dos filmes de Bresson em Contra a Interpretação, Sontag escreve: “Algumas artes visam despertar os sentimentos; outras apelam para os sentimentos pelo caminho da inteligência. Há uma arte que envolve, que cria empatia. Há uma arte que cria distanciamento, que provoca reflexão”.

Gosto do segundo tipo de arte (particularmente no cinema), mas o primeiro me coisa mais. É o caso de Garcia Marques e sua verborragia com cheio de caribe; de Borges, que vez ou outra deixa escapar de seu universo de bibliófilo el sangre latino; de Rosa, que parte do sertão e envereda pelo existencialismo; e mesmo de Érico Veríssimo, que de uma literatura menor fez brotar uma obra prima como o primeiro tomo da saga O Tempo e o Vento que – para provar que Ursula tem razão e que o tempo dá voltas e voltas e sempre retorna aos mesmos lugares – inspirou Garcia Marques a escrever Cem Anos de Solidão.

PS.: A foto acima é do filme A Vila, de M. Night Shyamalan (O Sexto Sentido, Corpo Fechado). Clique nela e leia o texto de Luiz Carlos Oliveira Jr. para a Contracampo, que fala do filme. Valem a pena o filme e a crítica. A propósito, antes que perguntem, o filme tem-não-tem relação com o que estou falando no “post”.

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PSICO INDICA (MAIS)

Janeiro 28, 2005 · Deixe um comentário

Até figurinhas como Ney Gonçalves Dias e Datena se sentem habilitados para criticar o governo Lula. Isso pra não falar da ala bizonha constituída pelos partidários do PSTU (que, na outra ponta, é tão desprezível quanto o PSDB e o PFL juntos).

Não, não. Não quero falar sozinho sobre isso. Ando meio rouco (a gripe, a gripe) e essa coisa João Batista de ficar pregando no deserto não faz meu estilo.

Duas dicas: (1) visitem o site do Renato Guimarães e leiam o que ele escreveu sobre a passagem do Lula pelo Fórum Social Mundial; (2) aproveitem também para ler o texto “Mais empulhação”, no qual o Rentato cita o Mino Carta para falar de assuntos muito pertinentes.

Se sobrar um tempinho, passem na Praça do Zé, e dêem boas vindas ao Kléber, que voltou de férias.

É isso, gente. Abraços a todos.

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É NOVELA

Janeiro 28, 2005 · Deixe um comentário

O historiador colombiano Jesús Marti-Barbero atribui ao cinema mexicano da primeira metade do século passado um papel importante na criação de uma identidade latino-americana. Para Barbero, a chave disso está no melodrama.

“O melodrama como estrutura de qualquer tema, conjugando a impotência social e as aspirações heróicas, interpelando o popular a partir do ‘entendimento familiar da realidade’, que é o que permite a esse cinema enlaçar a épica nacional com o drama íntimo, destacar o erotismo a pretexto de condenar o incesto e dissolver lacrimosamente os impulsos trágicos dspolitizando as contradições cotidianas. As estrelas — Maria Félix, Dolores del Río, Pietro Armendariz, Jorge Negrete, Ninón Sevilla – abastecem com faces, corpos, vozes e tons a fome das pessoas de se verem e de se ouvirem. Para além da maquiagem e da operação comercial, as verdadeiras estrelas do cinema obtêm sua força de um pacto secreto que enlaça esses rostos e vozes com seu público, com seus desejos e obsessões”.

Creio que, no Brasil, as novelas da Globo exercem papel semelhante. De certa forma, as novelas, mais do que o cinema e a literatura nacional, foram determinantes na fundação (e na sedimentação) de um “modo de ser” do brasileiro. Desprezar as novelas como um mero subproduto da Indústria Cultural é desperdiçar um excelente retrato do que é (ou do que pode vir a ser) o brasileiro.

Um complemento (???)

Tá certo, tá certo: a maioria das novelas é um pé no saco mesmo, mas a coisa é mais complexa, entendem? Ou pelo menos pode ser. Ou não pode. Sei lá…

Uma observação

Depois de “Hoje é dia de Maria” a Globo trouxe a “Mad Maria” que, só pra rimar, é uma porcaria: ressuscitaram descaradamente “Terra Nostra” e “Esperança” – a começar pelo elenco. Eca!

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UTILIDADE PÚBLICA

Janeiro 26, 2005 · Deixe um comentário

O novo endereço do blogue da Carissa é

http://porquinhas.blogspot.com

´mabraço.

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TUDO AINDA VIVE

Janeiro 23, 2005 · Deixe um comentário

“‘Hoje é dia de Maria’ nasceu da alegria que tive ao me deparar pela primeira vez, já adulto, com os contos populares recolhidos da oralidade popular brasileira por Silvio Romero e Câmara Cascudo, entre outros. Logo depois vieram as pinturas de Cândido Portinari e as cirandas recriadas por Villa-Lobos, depois peguei na mão do Soffredini e do Abreu. Estes mestres iniciais, necessariamente, arrastam outros mais distantes: Portinari era apaixonado por Velásques, Villa por Bach. Todos sabemos do enorme caldeirão cultural ainda em ebulição por estas bandas. Além do mais, acredito em um patrimônio genético do Brasil, suas histórias, suas raças, suas línguas, seus sons; tudo ainda vive, tudo ainda me dá a sensação de que, como arquétipos, estão à espera de reencarnar para continuarem suas missões éticas e estéticas”.

(Luiz Fernando Carvalho)

Num texto anterior, falei sobre o que me vai quando penso nos CTGs. A citação acima vai em direção àquilo que penso sobre a cultura: tudo ainda vive. Pra continuar existindo como é, a cultura popular precisa reinventar-se o tempo todo, beber de outras fontes, misturar-se, sujar-se no mundo e não viver enclausurada seja lá onde for. Assim como nossa memória reconstrói o passado, a cultura modifica a si mesma o tempo todo. Cultura estática é cultura morta.

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CTG

Janeiro 22, 2005 · Deixe um comentário

Nos campos da tradição e do folclore, poucos fenômenos são tão entristecedores quanto o CTG (Centro de Tradições Gaúchas). Onde muitos vêem preservação, vejo aprisionamento: condena-se a cultura popular a um âmbito institucionalizado, quadrado demais (ou retangular, como os galpões). É excesso de assepsia, não dá pra beleza respirar. O belo também tem um quê de selvagem: nem sempre aceita limites sem ser mutilado de alguma forma (em sua forma).

À quadradeza dos CTGs, prefiro os excessos do Congo e troco – sem pestanejar – o violão e a gaita pelo tambor e a casaca. Tradição que é tradição tem cheiro de gente, de vida, nunca de alvejante ou naftalina. A cultura popular deve ter vida, ou não é cultura popular, mas outra coisa.

Toxo pros CTGs! Não se resume a cultura de um povo em três letras…

PSICO INDICA

1. O blogue da Amanda Tote, que tem um texto do Veríssimo que traduz maravilhosamente o caráter fascista que Barthes atribui à linguagem.

2. O blogue da Vanessa, que tem um relato dela sobre aventuras de uma brasileira (ela! ela!)perdida no reino da Burocracia. O texto remete aos conceitos de “gaiola de ferro” do Weber, de “mundo vivido colonizado”, do Habermas, e de “domínios-não-discursivos”, do Foucault. (De quebra, como bem lembrou o Renato, que é marido da Vanessa, o texto lembra “O Processo”, de Kafka.)

3. PARA BRASILIENSES: visitem o Trovas e Trombos, que é o blogue do supracitado (eita palavra ridícula) Renato Guimarães, o maridão da Vanessa. Acho que vocês vão gostar da dica que ele dá.

4. Ó, nos itens 1 e 2 acima, só pra deixar bem claro, nem o texto da Vanessa, nemo texto do veríssimo fazem qualquer referência a teóricos. Essa coisa de rastrear os pensamentos é vício meu. ´mabraço.

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PELO SIM, PELO NÃO

Janeiro 20, 2005 · Deixe um comentário

Deu nO Globo: O Ministério da Cultura está promovendo, em parceria com a ONG CBC um concurso para eleger a Capital Cultural do país. Todos os municípios brasileiros podem concorrer, basta “apresentar a candidatura por meio de uma carta do prefeito, juntamente com a documentação e o programa de atividades culturais a ser desenvolvido em 2006. Um comitê julgador, formado por personalidades do meio cultural, fará a seleção das candidaturas e elegerá a grande campeã”.

Se a idéia pegar, 2006 promete ser um ano agitado no cenário cultural brasileiro. Gostei do projeto.

O que não gostei foi de ver a enquête produzida pelO Globo, para os internautas escolherem a cidade que eles consideram a Capital Cultural do Brasil. Entre as “concorrentes” estão: Brasília, Curitiba, Ouro Preto, Paraty, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. Quando conferi a enquête, O Rio liderava a pesquisa com 41,62%.

Levando-se em consideração que a enquête está sendo realizada por um jornal carioca, a vantagem é natural. Mas eu gostaria de destacar outro ponto. Observem a descrição da cidade que está no site de O Globo: “Berço da Bossa Nova, é a cidade mais conhecida internacionalmente. Divide com Salvador a paternidade do samba e costuma ser escolhida por artistas nacionalmente consagrados como residência. No Rio, está o maior número de museus do país e a arquitetura ainda preserva traços de distintos períodos históricos, do Brasil colônia ao moderno. Também abriga a maior TV do país, a Globo, que, apesar de sua programação nacional, acaba propagando manifestações culturais locais. O carnaval é considerado, ao lado do de Salvador, o mais importante do país”.

De uns dois anos pra cá, começa a circular por aí um discurso em defesa de um espaço maior para as programações locais nas grandes redes de TV. Uma reivindicação justa, afinal, num país desse tamanho já estava mais do que na hora do sotaque carioca perder a hegemonia na telinha da Globo. Contudo, acredito que esse processo pluralização cultural da Globo será um tanto quanto demorado. E, além disso, foram anos de supremacia carioca: a imagem do Rio como centro cultural está mais do que fixada na cabeça das pessoas.

De minha parte, fiquei em dúvida entre Salvador e Recife. Acabei votando na segunda, provavelmente por causa do Chico Science, do Suassuna, do Mundo Livre S/A, do Amarelo Manga, do cordel, do frevo e de tantos movimentos recifences de tenho acompanhado de longe.

Por outro lado, não consigo deixar de pensar no Rio como cidade detentora de uma cultura fake atualmente. O carnaval é festa pra inglês ver. Acho Bossa Nova um saco e acredito que a produção audiovisual carioca é grande porque todos os recursos ficam concentrados ali (e criar pólos alternativos é algo que demanda tempo e vontade).

Só de birra, vou lançar uma campanha para escolhermos Perocão como Capital Cultural do Brasil. Pô, lá tem o Orlando, o Xuninho, o Rodrigo. Tem a história do Zé Capeta, a Cabana do Waldir, o bloco das piranhas…

PELO SIM, PELO NÃO, VOTE PEROCÃO!!!

Isso pra não falar nas piadinhas que o nome da aldeia suscita…

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As meninas que me perdoem…

Janeiro 19, 2005 · Deixe um comentário

As meninas que me perdoem, mas o lugar do Rodrigo Santoro é em Hollywoood. Alguém precisa deixar de frescura e dizer pro moleque que, por mais belo que seja, ele não passa de um canastrão. Como diz Miriam, uma amiga, Santoro só faz chorar pelo nariz. Sua tão anunciada aparição em “Hoje é dia de Maria” foi frustrante: nariz chorão, cara de sofrido, barra forçada (corpo suado e cabelo desgrenhado pra esconder a inaptidão como ator).

Por obra asmodênica, talvez, Santoro dividiu o episódio com Daniel de Oliveira, que deu uma aula interpretando um ator de teatro-mambembe-itinerante-circense que se apaixona por Maria.

Sobrou em Daniel o que faltou em Santoro: sutileza, coração, sensibilidade (e jeito pro teatro). Fiquei surpreso, confesso. Achei que o Daniel seria Cazuza pelo resto da vida. Às vezes é bom estar enganado.

Agora, mudando mais ou menos de assunto, preciso fazer uma confissão: a beleza da Letícia Sabatela é tanta, mas tanta, que chega dói.

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Voa, Lula!!!

Janeiro 19, 2005 · Deixe um comentário

Creio que muitos brasileiros gostariam de implantar aqui um sistema de castas que proibisse pobre de sair da miséria e rico de votar na esquerda. Essa celeuma em torno do teco-teco do Lula já está me dando nos nervos. Que prazer em condenar o cara à miséria! Querem o que? Que ele receba chefes de estado no bimotor dos Mamonas Assassinas? Querem reforçar a imagem que o resto do mundo tem do Brasil, a de um país atrasado, onde mico-leões e araras-azuis pululam entre mulatas de mola e menores prostituídas? Deixa o cara mudar de avião, gente! Se não fosse gasta assim, é provável que essa grana fosse usada pra pagar juros ao FMI (juros de dívidas que não foram feitas pelo Lula). Alguém ouviu falar sobre o compromisso que a empresa que vendeu o avião assumiu com o governo, o de investir valor equivalente ao preço da aeronave na terra brasilis? Alguém lembrou da economia de combustível? Não, né? É que à imprensa (e aos comentaristas pretensiosos a la Gáspari) interessam mais os factóides que rendem texto “quente” do que qualquer outra coisa. Toxo! Voa, Lula, voa que você ganha mais…

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